
George Clooney chegou a terceira idade. O astro de Hollywood deixa qualquer traço do galã juvenil que o acompanhou em sua carreira e, definitivamente, aceita o que o tempo reserva a todos nós, a velhice. E isso é mostrado com uma sutileza fenomenal em seu novo filme, OS DESCENDENTES, que concorre, entre outros, a melhor filme e melhor ator no famigerado Oscar 2012. E com méritos diga-se de passagem. Clooney é Matt King, um advogado que, possui, ao lado de seus vários primos, alguns hectares de terra no paraíso havaiano. No meio de um acordo milionário, sua esposa sofre um acidente de barco e entra em um coma irreversível. Sem saber como lidar com a situação de criar uma filha da qual nunca foi presente, Matt pede ajuda a sua segunda filha, a excepcional Shaillene Woodley (guardem esse nome), que interpreta Alex, uma garota forte e meio bad girl mas que ao longo da produção se torna a melhor companheira para o seu pai. Contando com interpretações primorosas, OS DESCENDENTES também prima pela sua história triste e melancólica, porém fiel e interessante, e a identificação com os percalços do personagem de Clooney é imediata. Mesmo sendo um pouco longo, quase duas horas de produção, a história se desenrola metodicamente, sem pressa, fazendo com o que o espectador entenda a difícil missão de Matt, principalmente depois da descoberta de um segredo terrível relacionado a sua esposa. A reação de Matt acerca desse segredo é diferente do que se supunha, já que a maioria das pessoas teriam uma reação diferente e, normalmente, violenta. Os coadjuvantes também dão o seu recado, com destaques para o experiente Robert Foster, o Salsicha Matthew Lillard (impressionante a evolução de suas interpretações) e, do sempre magnifico Beau Bridges, irmão de Jeff que aqui interpreta um dos primos, talvez o mais ambicioso, de Clooney. E se a cena da despedida de Matt com sua esposa é, absolutamente, emocionante (percebam a lágrima escorrendo sem nenhum esforço pelo rosto de Clooney), o adeus da filha mais nova Scottie (Amara Miller) é de despedaçar o mais gelado coração. Mas o filme pertence realmente a Clooney em sua melhor interpretação no cinema. Se não tivessemos Jean Dujardin concorrendo ao careca dourado pelo, também belo O ARTISTA, Clooney com certeza absoluta levaria a estatueta. O jeito é esperar até o dia 26 de fevereiro para a confirmação do vencedor. Até lá, não espera mais e corra para o cinema mais próximo para conferir esse belo trabalho do diretor Alexander Payne, que depois de SIDEWAYS e O LEITOR, acerta novamente e realiza uma belíssima produção !!
NOTA 8 !!


